Novos kwanzas só com primeiro Presidente angolano entram em circulação até junho

Novos kwanzas só com primeiro Presidente angolano entram em circulação até junho

O vice-governador do Banco Nacional de Angola disse hoje que a introdução da nova família de notas do kwanza vai decorrer progressivamente até ao final do primeiro semestre deste ano.

Rui Miguêns falava à imprensa à margem da sessão plenária da Assembleia Nacional que aprovou hoje, com 121 votos a favor, nenhum contra e 53 abstenções, a proposta de lei que autoriza o Banco Nacional de Angola a emitir e pôr em circulação uma nova família de notas do kwanza.




Nas novas notas, mantém-se a a figura do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, retirando a do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que surge nas notas ainda em circulação.

O responsável referiu que a substituição deverá ocorrer até final do primeiro semestre deste ano, devendo a impressão das notas começar depois da promulgação da lei.

“Há ainda algum trabalho para fazer. Iremos emitir por substituição daquelas que forem sendo recolhidas por estarem em mau estado, portanto, isto é um processo que vai ser paulatino e claro vamos fazê-lo com toda a calma e toda a tranquilidade”, disse.

O vice-presidente do banco central angolano transmitiu a todos os utilizadores da atual família que está ainda em circulação que esta “vai permanecer e vai sendo substituída e praticamente as pessoas não irão sentir a introdução da nova família”.

Questionado sobre quanto o BNA irá pagar pela emissão de novas notas, Rui Miguêns disse que os gastos serão feitos à medida que forem sendo emitidas e sendo preparadas as notas para introduzir no sistema.

“Todos os anos teremos necessidades específicas, acho que não tem nenhum interesse nós dizermos isto agora”, frisou.

Segundo o vice-governador do BNA, a emissão desta nova família de kwanzasn visou garantir novos elementos de segurança e de proteção.

Existe também “uma alteração no substrato das notas de menor valor facial” que garante a sua qualidade no manuseamento a que está sujeita.

“Essas foram as principais razões que nos fizeram solicitar ao titular do poder executivo que promovesse uma solicitação junto da Assembleia Nacional de alteração da família do kwanza”, disse.

Na sua declaração de voto, o deputado da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Raul Danda, disse que o sentido de voto pela abstenção foi por achar que não há premência nem prioridade na emissão de novas notas, ao contrário do BNA.

“Numa altura em que o país rasteja, ao que se diz sem recursos para fazer coisa nenhuma, é mesmo oportuno, urgente e prioritário gastar milhões na emissão de novas notas? Milhões que podiam servir para alguma comida na mesa do cidadão, para algum medicamento para lhe assegurar alguma nesgazinha de saúde, uma água para mitigar a sede, um teto para protegê-lo das intempéries”, questionou.

Na sua declaração de voto, a deputada do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), Idalina Valente, disse o seu grupo parlamentar está consciente desta alteração da moeda, porque está tecnicamente comprovado que qualquer moeda, após sete anos de circulação, fica muito mais vulnerável quer à falsificação quer à contrafação das suas marcas de segurança, considerando que “uma situação desta natureza periga a tão almejada estabilidade macroeconómica”.

Benedito Daniel, do Partido de Renovação Social (PRS), disse que votou a favor da lei, por considerar que qualquer país deve dispor de cédulas monetárias seguras, que não possam ser contrafeitas, conferindo assim “alguma estabilidade” à economia do país.

Por sua vez, o deputado independente Leonel Gomes disse que se absteve por considerar que a emissão de novas notas do kwanza era a oportunidade para se homenagear figuras relevantes do país antes dos partidos políticos, “ou seja, renomados reis e rainhas” ou, como segunda opção, os líderes de movimentos de libertação de Angola, António Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

Já o deputado Alexandre Sebastião André, da Convergência Ampla de Salvação de Angola — Coligação Eleitoral (CASA-CE), disse que foi por razões técnicas e de segurança que aquele grupo parlamentar votou a favor, tendo ainda em consideração as quantidades de kwanzas falsos descobertos recentemente em contentores.

O BNA vai emitir e colocar em circulação notas de 200, 500, 1.000, 2.000, 5.000 e 10.000 kwanzas.

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